Francis Bacon - filosofo

A Filosofia também estuda a Ciências (Filosofia das Ciências) , conheça os pensadores e filosofos que são a base de uma corrente de pensamento que visa buscar respostas e estimular a reflexão, assim como as implicações filosóficas que levam em consideração a Biologia, Química e física (Ciências Naturais) atreladas por exemplo a Psicologia e Economia (Ciências Sociais) por exemplo, sendo assim consideradas peças fundamentais no entendimento de como se desenvolveu e tem se desenvolvido o pensamento científico.

Definições de Ciências:

Definição geral (ampla) = Conhecimento acumulado pela humanidade que visa explicar os fenômenos Naturais.

Definição Específica (estrita) = Conhecimento gerado a partir do método hipotético dedutivo, ou seja método sistemático, objetivo e reproduzível (Surge no século XVII).

Senso Comum = Mistura filosofia e religião, é um “método não programado”, não se preocupa em explicar o fundamento de suas conclusões, nem em testá-las, podendo ainda se basear em idéias de natureza mística e sobrenatural. O  senso comum  é  o  modo  mais  antigo  e  natural  de  procurar  explicações  para  os fenômenos naturais.

A ciência e suas origens

A palavra ciência é derivada do latim, do termo scientìa, que significa conhecimento ou saber.

Por esta razão, deveria abranger a totalidade do conhecimento, isto é, daquilo que é objeto de

aprendizado. Existe,  entretanto,  um segundo conceito  de  ciência, que possui  um caráter  mais

estrito,  denotando conhecimento  ordenado  da  natureza, gerado  por  um método  sistemático,

como proposto por Francis Bacon no início do século XVII. Este último conceito exclui a ciência de

estudos humanísticos, como a filosofia a as ciências sociais e também a dissocia da religião.

A ciência tem duas correntes: uma voltada para a produção de tecnologia e a outra visando

à  pura  busca  do conhecimento.  A  primeira  se  desenvolveu  a  partir  da  gradual  invenção de

instrumentos e implementos que permitissem ao homem sobreviver de maneira mais fácil e segura

e se tornou, recentemente, aquilo que denominamos ciência aplicada. A segunda se instituiu na

Antiguidade e abrange hoje a maior parcela da produção científica, recebendo a denominação de

ciência básica.

Um grupo de pensadores representa a base da Filosofia das Ciências, sendo peças centrais para explicar como esse pensamento se desenvolveu:

O método hipotético-dedutivo

Francis Bacon (1561-1626), um filósofo inglês, é considerado como o fundador do

método científico. Em uma série de livros publicados entre 1606 e 1626, Bacon propõe o

conceito de ciência empírica, em oposição ao método clássico e teológico-medieval que

iniciava uma investigação com um ponto de vista aceito como verdade, deduzindo a partir

daí as conseqüências. A proposta de Bacon consistiu em começar a investigação, não

com a fé, mas a partir de fatos conhecidos, relacionados com um fenômeno natural,  e

tentar  formular  princípios  gerais  que  explicassem  esse  fato.  Em  sua  obra  Instauratio

Magna (Grande Instauração) de 1620, Bacon ressalta que, a menos que se tome muito

cuidado, as informações que a mente humana absorve tendem a ser falsas, confusas e

alheias aos fatos. Segundo Bacon, a mente precisa se proteger de idéias preconcebidas,

do favorecimento de opiniões próprias, da valorização indevida do que é antigo ou novo e

da utilização de modos de pensar filosóficos ou religiosos, nos quais a verdade é deduzida

a partir de premissas pré-estabelecidas. Além disso, Bacon alerta para o uso de palavras

impróprias ou não específicas o suficiente, que possam ser interpretadas incorretamente.

O procedimento preconizado por Bacon evoluiu para o método hipotético-dedutivo.

Nessa concepção, um estudo científico deve começar pela observação e investigação de

algum fenômeno natural e as informações obtidas devem ser utilizadas para se chegar a

algum  entendimento  das  causas  fundamentais  do  fenômeno  ou  de  associações  entre

eventos aparentemente não relacionados. Hipóteses provisórias são formuladas com base

nas  informações  selecionadas  e,  a  partir  dessas  hipóteses,  são  feitas  deduções  que

permitem testá-las. Tais deduções são conclusões plausíveis e previsões obtidas a partir

da  hipótese,  que  propiciam  a  elaboração  de  propostas,  observações  e  experimentos.

Estes  últimos,  por  sua  vez,  são  realizados  para  testar  a  hipótese,  validando-a  ou

rejeitando-a.

A contribuição de Karl Popper

Os  séculos  que  se  seguiram  a  Bacon  foram  dominados  pela  idéia  de  que  as

explicações  científicas  eram  simples  generalizações  derivadas  de  observações  de  um

fenômeno particular, tal como “uma vez que todos os cisnes que já observei eram brancos,

concluo que todos os cisnes são brancos”. Essa visão equivocada da ciência denominada

positivismo, perdurou até o século XX.

Em  meados  do  século  XVIII,  o  filósofo  escocês David  Hume apontou  um  sério

problema na indução de generalizações. Segundo ele, a única garantia que se tem para o

sucesso do método indutivo é o seu sucesso no passado, isto é, “o que nos faz supor que

um próximo cisne que venhamos a encontrar seja branco é o fato de todos os anteriores

terem  sido  brancos”.  Entretanto,  uma  próxima  observação  pode  derrubar  essa

generalização particular, como “encontrarmos um cisne preto”, por exemplo.

Na tentativa de resolver esse paradoxo, o filósofo austríaco Karl Popper (1902-1994)

enfatizou  que a  idéia  até  então  vigente,  de  que  os cientistas  acumulam  simplesmente

exemplos de um fenômeno e, então, derivam generalizações a partir deles, estava errada.

Para  Popper,  os  cientistas  propõem  hipóteses  sobre  a  natureza  do  mundo  que  são

rigorosamente  testadas.  Esses  testes,  entretanto,  não  são  tentativas  de  provar  uma

hipótese em particular, mas de negá-las. Assim, segundo Popper, provas logicamente é

algo impossível de se obter. Nós podemos apenas negar algo com alguma certeza, pois

pelas  diversas  razões  que  Hume  apontou, um  único  exemplo  contra  é  suficiente  para

negar  uma  generalização;  enquanto  prová-la  requereria  a  tarefa  impraticável  de

documentar  todo  os  exemplos  possíveis  de  um  fenômeno  em  questão  (inclusive,

presumivelmente, aqueles que ainda não ocorreram).

Assim, apesar de seu método sistemático e criterioso, a ciência não possui meios de

demonstrar  que  uma  hipótese  é  correta  ou  verdadeira.  As  hipóteses  científicas

somente  se  credenciam  por  meio  de  testes  de  falseabilidade,  isto  é,  de  testes  que

forneçam condições para que, se a hipótese não for correta, uma certa previsão formulada

a partir dela não se confirme, e assim a hipótese seja rejeitada (ou refutada). E se a

hipótese  não  for  refutada,  ela  nunca  poderá  ser  comprovada,  mas  apenas  aceita  (ou

corroborada).

Hipótese, leis e teorias

Uma hipótese é uma tentativa de explicação para um fenômeno isolado. Uma lei, por

sua vez, é uma descrição das regularidades de uma classe de fenômenos. Já as teorias

são  aquelas  que  estruturam  as  uniformidades  e  regularidades  descritas  pelas  leis  em

sistemas mais amplos. Uma teoria, portanto, procura explicar um conjunto abrangente de

fenômenos  da  natureza.  Vejamos  um  exemplo  de  aplicação  desses  conceitos:  “Até

meados  do  século  XIX,  imaginava-se  que,  se  as  formas  alternativas  de  determinado

caráter se cruzassem geneticamente, o resultado seria uma combinação de todas elas.

Mendel, monge e botânico austríaco de origem tcheca, propôs a hipótese de que não

existe  herança  por  combinação,  ou  seja,  os  caracteres  são  transmitidos  através  de

fatores (genes) que permanecem intactos. Mendel realizou uma série de cruzamentos com

ervilhas durante gerações sucessivas e, mediante a observação, formulou sua primeira lei

(lei do monoibridismo, segundo a qual existe nos híbridos uma característica dominante

e uma recessiva e cada caráter é condicionado por um par de fatores, os atuais genes,

que se separam na formação dos gametas.) e sua segunda lei (lei da recombinação ou

da  segregação  independente,  segundo  a  qual,  num  cruzamento  em  que  estejam

envolvidos dois ou mais caracteres, os fatores que determinam cada um deles se separam

de forma  independente durante a formação dos  gametas e se recombinam ao acaso).

Estas leis, por sua vez, constituíram a base para a formulação da teoria cromossômica

da hereditariedade (que determina que a transmissão dos caracteres depende do fato de

os  genes  estarem  situados  no  mesmo  cromossomo  ou  em cromossomos  diferentes  –

abrange as leis  de  Mendel  e  outros  conhecimentos  relacionados  com  a  estrutura  e  o

funcionamento celular para formular uma explicação mais abrangente para o fenômeno da

transmissão de caracteres)”.